quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Partimos do nosso princípio

Há um tempo, prometi uma postagem sobre a nossa visão do parto. Então cá estamos nós.

Pois bem, quando descobri a gravidez me embrenhei no mundo materno. Concepção, desenvolvimento e tudo mais. Há alguns anos, não teria dúvidas em dizer que faria cesárea SE tivesse um filho. Isso porque tinha uma visão bem distante e fria do processo materno. Mas isso mudou bastante. Logo no início descobri vários sites de ONGs que visam maior divulgação e desmistificação do parto normal. Fui convencida. Para começar, é o processo mais natural. As mulheres parem há anos e anos da mesma forma. Claro que nem todas as experiências do normal são felizes, assim como as cesáreas, assim como qualquer nascimento, assim como qualquer coisa na vida. Mas felizmente hoje temos muito mais acesso ao conhecimento, possibilidade de fazer um pré-natal completo e uma rede hospitalar mais estruturada.
Só pra constar que minha mãe teve duas cesáreas e a mãe dela teve experiências ruins com parteiras. Então imagina o apoio recebido...
Mas os motivos, no fim das contas foram: NÃO é uma cirurgia, NÃO precisa cortar sete camadas da minha pele e me encher de pontos (por mais que a cicatriz hoje em dia seja bem menor), NÃO precisa daquela anestesia chata e dolorida para caramba, a recuperação é rapidíssima. Quando muito no dia seguinte e se tudo correr bem, você tá nova. O neném tem a oportunidade de ser agente do parto e nasce a hora que ele quiser, não quando a agenda permitir. Ah, mas PODE ser necessário fazer episiotomia (pontinhos na vagina para facilitar o caminho de nenéns maiores). Sim. PODE ser que sim, PODE ser que não e se ocorrer, é coisa pouca e relativamente simples. Tá, mas e a dor? E as temidas contrações? Bem, isso varia de pessoa para pessoa. Tem mulher que espirra e o neném sai, tem outras que sofrem para caramba. Como saber qual será o nosso caso? Não tem como saber. Você faz uma escolha e se mantiver sua posição com firmeza e segurança, também vai se preparar com antecedência. Além disso, há massagens e técnicas para diminuir a dor e se você tem a felicidade de estar num ambiente com pessoas queridas e te apoiando e tiver informação do que está acontecendo com você passo a passo, não só o geralzão, pode ter certeza que a percepção da dor vai ser diferente.
Gente, por favor, estou falando da nossa decisão, da nossa opinião e também somos inteligentes o suficiente para saber que em alguns casos a cesareana pode ser fundamental para salvar vidas tanto da mãe quanto do filho. Consideramos que vamos estar saudáveis e super bem para o tão esperado dia, então se a sua decisão for por cesárea, respeito, desde que você respeite a minha decisão também, ok!?

Na verdade, a única coisa que me dá uma leve preocupação até agora é essa dor na virilha que com cinco meses já atrapalha a minha vida. Temo que mais para frente ela possa atrapalhar o nosso parto, mas não tem muito como prever...

O outro lado disso tudo é o profissional que vai estar junto com a gente na hora do vamos ver. Se você tem a felicidade de morar numa cidade com uma casa de parto ou com um médico que seja super a favor do parto normal, que bom! Você é uma pessoa muito feliz. Agora, se é como a maioria das mulheres que quando fala de parto normal para o seu obstetra percebe um semblante de “ixi... vai me dar dor de cabeça”, seja bem vinda ao nosso grupo.

Na verdade mudamos de médico agora mesmo. No quinto mês. Por dois motivos: o anterior era de uma cidade há 90km de distância e além de ficarmos muito desgastados a cada vez que íamos a uma consulta, ele foi um pouco menos receptivo AINDA ao parto normal. Juntamos isso com os encontros do Gesta Maringá, muita informação e pesquisa sobre a estrutura do Hospital Santa Casa de Campo Mourão que está com UTI neo natal (que a gente nunca quer usar, mas fica mais tranqüilo de saber que existe), nos fortalecemos e resolvemos procurar um profissionall na nossa cidade. Tive boas indicações do nosso atual médico. Fomos a apenas uma consulta, mas foi a mais franca de todas. Falei tudo o que penso sobre o parto, todo o processo, a busca de informação, sobre como espero que ele entenda isso e não me ache uma tapada que digita qualquer coisa no Google. No começo o coitado levou um susto, mas compreendeu em seguida. Não prometeu desde já um normal, como já era esperado. Claro que disse que vamos trabalhar para isso. Já está suficiente. Difícil esperar milagre. Estou pensando em conversar com uma doula de Maringá (em Campo Mourão não tem) para nos acompanhar, mas essa ideia ainda precisa ser discutida aqui em casa.

Bruna, você está falando tudo isso, mas e se precisar fazer uma cesárea? Como vai ser? Vou ficar um pouco triste, mas se PRECISAR fazer vai ser pelo bem do neném. Espero que me dêem uma justificativa muito boa e não me venham com historinhas do tipo “o cordão está enrolado no pescoço”. Já sei que esse tipo não cola.

Mas o importante é ter o Pedro são e salvo nos nossos braços. Quem sabe a gente consiga protagonizar uma foto tão linda quanto esta, que é a mais linda de todas que já vi e me deixou absolutamente emocionada, pelo olhar do bebê:

 Tirei do blog do fotógrado Cleber Massao

4 comentários:

  1. Marcus Vinicius Laurani1 de dezembro de 2011 19:30

    Com certeza, estarei ao seu lado e do Pedro em todos os momentos!
    ;)
    :****

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  2. Marido, sem você o plano não funciona =***

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  3. Ountttttttttttttt que lindo!!!

    Pri

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  4. Estamos torcendo, rezando e esperando tranquilamente que muitas coisas estejam a favor do parto natural quando chegar a hora. A obstetra, mesmo tendo passado mais de 25 anos fazendo mais cesárea do que parto natural, já sabe da nossa decisão e nos apoia. O pediatra também. E vai ser do nosso jeito, nós dois aqui nos ajudando, porque aqui não tem parto humanizado ou qualquer coisa que seja ao menos parecida. Mas, muito além do trato que fizemos entre nós (Danilo e eu), "várias variáveis" precisam necessariamente colaborar. É a posição correta do bebê, é a dilatação (tem mulher que não apresenta dilatação de jeito algum, fica horas em trabalho de parto e nada de dilatar, daí não existe outro jeito - e isso a gente só vai descobrir quando chegar o momento, mesmo que minha mãe tenha tido três partos naturais super tranquilos e rápidos não há nada, nada mesmo que garanta-me igual sucesso, mas espero sinceramente ter a mesma sorte), é a pressão arterial da mãe, alguma hemorragia, o tal do cordão atrapalhar (que pode acontecer sim, minha irmã enfemeira já ajudou a fazer algum parto que tinha tudo para ser "normal" e por conta de alguma coisa, qualquer coisa, inclusive cordão enrolado no pescço, que poderia colocar em risco o bebê a decisão imediata de todos foi por cesárea - a vida do meu bebê já é mais importante que a minha). Porque desde já eu penso: se for pra alguém sofrer que seja eu; não ele. Faço minhas as palavras de minha mãe, ao pensar no meu filho que ainda nem nasceu: "filha, eu daria tudo pra pegar a dor que você sente pra mim pra não te ver sofrer".

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